Adoro. Durante uma aula do Prof. André Azevedo (Fundamentos Científicos da Comunicação), na qual estavamos estudando o "método científico", aconteceu um fato no mínimo curioso.
A atividade era simples, uma análise quantitativa/qualitativa de fotos publicitárias e jornalísticas da Revista Veja.
O objetivo era observar se, a hipótese de que negros não têm visibilidade nas fotos e de que elas são tendenciosas, era verdadeira ou falsa. Num primeiro momento, era pra falar se o indivíduo da foto era branco ou negro.
No final da atividade, cada grupo faria uma exposição dos dados quantitativos que tivesse levantado e se houvesse nescessidade - destacasse o que fosse relevante.
Um dos grupos considerou relevante o fato de que em determinada foto, não seria possível a identificação do sexo (não sei se biológico ou o gênero...) de um indivíduo. Sendo assim, por uma decisão deles, chamaram o indivíduo de tranx.
FATO:
Era uma matéria de variedade. Havia um ator travestido, com a devida legenda. Não se tratava portanto nem de gay, muito menos tranx.
O comentário dessa aula e a primeira aula sobre "Inconsiente e Mito", me fez refletir um pouco sobre a heteronormatividade.
ERA ESTRANHO DEMAIS...
O grupo em sua explanação que existia uma foto ESTRANHA, que lhes chamava a atenção porque era impossível determinar se tratava de um homem ou de uma mulher.
Pelo comentário e as expressões que o grupo utilizou eles deixaram claro (pelo menos pra mim), duas coisas:
>Tudo aquilo que foge ao padrão BILÓGICO de homem/mulher é estranho (a tal da heteronormatividade!)
>Um tranx seria indefinível quanto ao seu papel de gênero (ele é ESTRANHO)
ISSO ME IRRITA
Esse tipo de postura e comentário é mais comum do que se imagina. E por ser tão corriqueiro, passa batido. É comum fazer piadinhas de gays... pra mim não!
Na verdade tudo isso, reflete um preconceito inconsiente. Julgando apenas pela aparência, construímos o papel social e o caráter da pessoa.
Estamos acostumados a falar e ouvir:
- Olha o jeito que fulano fala, ele é gay!
- Fulana não tem namorado, ela é sapatão!
- Nossa seu filho é gay? Cuidado pra ele não ir pra Marcus Cherém!
- Gays não tem religião...
E por aí vai... Estão sempre tentando reafirmar uma série atitudes que teria correlação com o "papel social" que o gay tem na sociedade. E ainda mais ultranjante, tentam provam o quão ANORMAL e.... como vou chamar???? Ah! ESTRANHO, essa é a palavra. O quão estranho é ser gay.
Todos esses pré-julgamentos são fruto do conceito de "heteronormatividade", que estabelece padrões comportamentais claros do que é ser homem e do que é ser mulher. Se restringe ao sexo biológico toda a construção social de um indivíduo.
Ex: Meninos gostam sempre de futebol, os que não gostam são gays.
É obvio que não existe uma lógica real na proposição acima. Mas existem muitos meninos que sofrem na infância simplesmente por não gostarem de jogar futebol.
E existem GAYS, que sofrem toda uma vida, porque o seu sexo biológico não condiz com o seu papel de gênero.
É mais complexo do que se possa imaginar. Além de tudo, vivemos um tempo que expurga minorias, principalmente as sexuais... geralmente ligadas à comportamentos de perverção.
Existem instituições que de forma clara, excluem toda e qualquer possibilidade de aceitação dessas minorias.
Se lembram da primeira aula? "UMA ILHA DE CONSIÊNCIA, CERCADA POR INCONSIÊNCIA!". Foge um pouco do controle. Tenho certeza, que os comentários que o grupo fizeram não foram intencionais.
Não é minha intenção julgar o comportamento dos meus colegas. Mas eu sei que não houve malícia, eles são inoscentes (parece tribunal!).
Porém, foi um gancho - um momento ideal para começar a se discutir "heteronormatividade".
Perguntar não ofende: Alguém pode me responder pra que serve a legenda de uma foto???
PS:
Eu posso até ser difente, estranho jamais.
- Se algum dos meus colegas se sentiu ofendido com o post, poderá postar uma resposta.
7 comentários:
Salve! Você tem razão! É preciso ficar sempre em guarda contra os ataques sutis de preconceito. É assim mesmo que o mundo se transforma. Avante!
Transformar o mundo é o nosso papel, enquanto comunicadores sociais... Desistir dos meus ideais? Jamais! (rimou huahauhauaha)
Com as críticas à heteronormatividade, teóricos e teóricas queer sugerem que é fundamental uma mudança efetiva que desestalibize e destrua a lógica binária de gênero e seus efeitos controladores: a exclusão, a hierarquia, a classificação, a dominação, a segregação.
acho q o fato ocorrido com o meu grupo foi julgado injustamente..afinal a legenda da qual vc falou não dava para ser interpretada pois na foto tinha + uma mulher e a duvida do grupo foi a partir daí, se aquela mulher branca era a q a legenda estava comentando ou a negra q sim realmente achamos ser trans não queríamos ter transmitido esse tipo de polemica pois não agimos de má fé o grupo achou estranho o fato de não saber de quem a legenda estava falando!
EU ACHO QUE É POR AÍ!!!!!DEIXAR PASSAR É CONCORDADR COM TODA ESSA CONCEPÇÃO HIPÓCRITA BRASILEIRA,DIGO MAIS...HUMANA.NÃO FOI A INTENÇÃO DO GRUPO,MAS É BOM RESSALTAR QUE SÃO DETALHES QUE NOS DEVEMOS ATER.LEVANTAR A BANDEIRA?SIM!SÃO PESSOAS NORMAIS E MERECEM O SEU DEVIDO RESPEITO!EU SOU HETERO.O ROGÊ É HOMO.O "FULANO" É BI,E DAÍ?SOMOS TODOS IGUAIS!!!!!!!UMA ÓTIMA SEMANA!BJS!!!
Obrigado pelo comentário Andressa.
Eu acredito que são pessoas como você que vão nos ajudar a acabar com o preconceito. E quando falo preconceito, são todos os tipos de preconceito.
Para Paola:
Seu comentário está confuso. Embora eu acredite que vocês não tenham agido de má fé - o comentário foi infeliz e seus argumentos são vazios...
De qualquer forma respeito sua opinião.
Olá! Adorei o seu blog e esse post sobre gênero. Acredito que só com muito debate a sociedade vai superar a heteronormatividade (sim, eu acredito que nós vamos evoluir) e vamos conseguir diminuir o preconceito com relação a sexualidade...
Parabéns pelo blog.
bjo.
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